• Virginia Langhammer

Common Mistakes that Brazilians Make in Portuguese



*Read translation into English at the end :)


Transcription of the video:


Erros de Português Comuns Cometidos por Brasileiros


Oi, pessoal!


Hoje eu tenho um convidado mais do que especial, que é o Professor DeRose. Eu trabalhei com o De Rose por 10 anos em São Paulo antes de me mudar a Nova Iorque, e hoje eu estou muito feliz em estar aqui com ele, e nós vamos bater um papo sobre português, sobre erros de português que os brasileiros cometem.


Eu acho que este assunto vai ser muito útil tanto para alunos que estão aprendendo o português e também para brasileiros que gostam de assistir os meus vídeos aqui no YouTube. Eu espero que você goste.


Virginia: Uma das coisas que eu sempre admirei em você foi esse seu cuidado com a nossa língua portuguesa, e você chegou até a escrever um livro sobre isso, que é o Falando Bonito, um livro de bolso incrível, eu recomendo que todos os brasileiros leiam.


Todos os brasileiros deveriam ler, e também alunos que estão estudando português como segunda língua para evitar cometer estes tipos de erros, e eu gostaria de saber o que te inspirou a escrever esse livro?


De Rose: Bom, eu sou um pouco abusado, porque eu não sou professor de português, nem de gramática, não sou linguista, e vou escrever um livrinho sobre a nossa língua. Mas o motivo é o seguinte: nós temos professores do nosso método, do DeRose Method, no mundo inteiro, e muitos vão ao Brasil. E aprendem errado com os brasileiros.


Eu posso apostar que cem por cento dos brasileiros que estão nos escutando erram nisso.


Virginia: Cem por cento?


De Rose: Cem por cento.


Virginia: O quê?


De Rose: Estou apostando. Quando você diz “meu óculos”.


Virginia: Ah, é verdade, Dezinho.


De Rose: Como “meu óculos”? Um óculo, dois óculos, um par de óculos.


De Rose: Uns óculos, vou pegar uns óculos, vou comprar uns óculos, ou um par de óculos. Os meus óculos.


Virginia: É verdade, é verdade, ninguém fala “meus óculos”, que é a maneira correta, tem razão.


De Rose: Agora, e quando uma pessoa que estudou, que foi pra escola, que fez todo aquele circuito escolar, que hoje é considerado ideal, que é terminar sua faculdade e ainda fazer mais alguma continuação, uma pós-graduação, quem sabe, seu doutorado, e essa pessoa me diz “quer que eu faço...?”


Virginia: Ah, não!


De Rose: “Quer que eu vou com você? Eu vou.”


Virginia: Ah, não, isso é feio.


De Rose: É feio.


Virginia: O subjuntivo.


De Rose: É errado.


Virginia: Então, só pra esclarecer pra quem está assistindo, a forma correta é “quer que eu faça...?” porque é o subjuntivo, o presente do subjuntivo, sempre que nós usamos essa estrutura, “quer que”, com a palavrinha “que”, a conjunção “que”, “quer que eu faça?”, “quer que eu vá?”. É obrigatório o uso do subjuntivo nesse caso.


De Rose: É uma língua maravilhosa.


Virginia: É, demais.


De Rose: Eu amo a língua portuguesa, e eu tive essa, ao mesmo tempo coragem e arrogância, talvez, de escrever um livrinho sobre a nossa língua sem eu ser professor de português, mas pela minha paixão pela língua.


Virginia: Pela sua paixão, de fato, de fato. E você é um escritor, já escreveu tantos livros, então você tem um conhecimento da língua que é realmente muito vasto.


Virginia: Eu queria jogar um joguinho com você. Eu estou com uma lista que você escreveu no seu livro de erros comuns de português, eu gostaria de falar uma frase com um erro pra você corrigir, pra gente ensinar um pouco pro pessoal que está em casa sobre esses erros, pra gente ajudar vocês a falarem um português melhor. Então, vamos lá: “como é que você chama?”


De Rose: Chama quem? Então, isto é um... é do mineirês.


Virginia: Sim, outro sotaque que eu adoro.


De Rose: É muito bonito. E no mineirês, já foi adotado isso em linguagem coloquial, já não pode nem mais ser considerado erro. Mas, fora de Minas Gerais, é interessante levar em conta que se você disser “como você chama?”, chama a quem?


Virginia: Chamar algo, alguém.


De Rose: Então, é “como você se chama?”


Virginia: Exatamente, é pronominal. “Como você se chama?”. “Que nem”.


De Rose: “Que nem” é usado por quase toda a população do Brasilno sentido de “ser igual”.


Virginia: Sim.


De Rose: Mas “que nem” não quer dizer “igual”, quer dizer “diferente”.


Virginia: É, não faz sentido.


De Rose: “Eu sou forte que nem um touro.”


Virginia: “Que nem um touro é forte...”


De Rose: “que nem um touro é tão forte quanto eu”, então é uma diferença, “eu sou mais forte que um touro”. Se eu quiser dizer que é igual, eu tenho que dizer “Eu sou tão forte quanto um touro”.


Virginia: Ou “eu sou forte...


De Rose: ...como um touro”.


Virginia: ...como um touro”. Exatamente. Muito bom, essa. Uh, olha esse: “eu vou vim” ou “ele vai vim”, ouch.


De Rose: Essa doeu, doeu, e eu escuto muito. Repito, já disse, mas quero deixar claro que quando alguma pessoa que não teve oportunidade de estudar diz isso, não me incomoda.


De Rose: Mas quando alguém que estudou diz “ele vai vim”, ah... rezepra que eu esteja desarmado. “Ele vai vim”. “Ele vai” minha intenção é me referir ao futuro. “Vim” é passado. Então, eu misturei futuro com passado: “vai vim”. E depois é “ele”, terceira pessoa, “vim”, primeira pessoa. Então, eu embaralhei tudo, isto é uma alucinação idiomática.


Virginia: É verdade, porque é “eu vim”, no passado.


De Rose: “Eu vim”, no passado.


Virginia: “Ele vai”, com o verbo “ir” no futuro, o verbo seguinte, o verbo principal é sempre no infinitivo, “ele vai vir,” ou “ele virá”, não “vai vim”. Uh, “se você ver”.


De Rose: Esse é comum. É comum em pessoas que estudaram. “Se você ver”, “se você compor”, “se você supor”, está errado.


Virginia: É o futuro do subjuntivo. Você precisa conjugar o verbo no futuro do subjuntivo.


De Rose: Então, “se você vir”.


De Rose: “Se você compuser.”


De Rose: “Se você supuser.”


Virginia: É como o verbo pôr, então todos os derivados, os verbos similares têm essa terminação, “puser” no final. Então, esse é um erro muito comum, se você está falando sobre o futuro e você começa com a palavrinha “se”, provavelmente é subjuntivo, então fique atento. “Duzentas gramas”.


De Rose: “Duzentas gramas” são duzentas ervas, que estão ali no seu quintal. Mas se for peso, é masculino. São “duzentos gramas”. Duzentos gramas.


De Rose: Agora, pra finalizar, é interessante nós termos, os brasileiros, um orgulhozinho a respeito da vertente que é o “brasileirês”. O “brasileirês” é considerado hoje a língua com maior espectro fonético.


Até a década de 60, eram consideradas duas línguas, eram o Português e o Russo. Essas duas tinham maior espectro fonético. E o “brasileirês” passou à frente por causa da imigração. E quando eu digo isso noutros países as pessoas dizem: “é nacionalismo, você está puxando a brasa pro seu país, pra sua pronúncia”. Não.


Então, quando eu menciono isso, por exemplo, na Argentina, que é um lugar que eu vou muito, e que eu me sinto em casa lá, me receberam sempre tão bem, e tenho grandes amigos. Então eu digo: “eu vou lhe provar o que eu disse a respeito do espectro do “brasileirês”.


Se o seu nome for Juan, e o meu nome for João, eu consigo pronunciar o seu nome, “Juan”. Agora, pronuncie “João”. Não consegue. Você não consegue nem o J e nem o “ão”.


Virginia: É verdade.


De Rose: Então, isso tudo nos concedeu esse espectro largo de pronúncia. É claro que isto indo ao ar, um monte de gente vai discordar: “não, não é bem assim, porque academicamente não está provado, ou porque tem aquela outra língua, lá na Bulgária, que tem um espectro largo”. Tudo bem, esta é a minha opinião neste momento. Se eu receber mais informações que contradigam, eu vou mudar de ideia, vou aprender.


Virginia: Muito bom, muito bom. Muito obrigada, De Rose. Adorei nosso bate papo, eu espero que este vídeo... este vídeo com certeza vai ser útil pros meus alunos que estão aprendendo português como segunda língua, e também muito útil aos meus seguidores que são brasileiros. Eu espero que vocês tenham gostado, pessoal.


Virginia: Eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre esse vídeo, deixe um comentário abaixo, e que outros erros comuns de português você ouviu as pessoas falando por aí? Deixe um comentário abaixo.


E se você gostou deste vídeo, não esqueça de dar um like e de se inscrever em meu canal, todas as semanas, eu posto um novo vídeo com dicas de gramática, expressões, e pronúncia do português brasileiro, do nosso querido “brasileirês”.


Um beijo e até a próxima! Tchau, tchau.


Common Mistakes that Brazilians Make in Portuguese


Hi, everyone!


Today I have a more than special guest, Professor DeRose. I worked with De Rose for 10 years in São Paulo before moving to New York, and today I’m very happy to be here with him, and we are going to have a chat about Portuguese, about Portuguese mistakes that Brazilians make. I think this topic will be very useful both for students who are learning Portuguese and for Brazilians who like to watch my videos here on YouTube. I hope you like it.


Virginia: One of the things I’ve always admired about you was your care for our Portuguese language, and you even wrote a book about it, which is Falando Bonito, an incredible pocketbook, I recommend that all Brazilians read it.

All Brazilians should read, and also students who are studying Portuguese as a second language to avoid making these kinds of mistakes, and I’d like to know what inspired you to write this book?


De Rose: Well, I'm a little bit audacious, because I'm not a Portuguese teacher, or grammar teacher, I'm not a linguist, and I write a little book about our language. But the reason is this: we have teachers of our method, of De Rose Method, all over the world, and many go to Brazil. And they learn it wrong from Brazilians. I can bet that a hundred percent of Brazilians who are listening to us make this mistake.


Virginia: One hundred percent?


De Rose: One hundred percent.


Virginia: What is it?


De Rose: I'm betting. When you say "my glasses".


Virginia: Ah, that's true, Dezinho.


De Rose: How come "my glasses"? One glass, two glasses, a pair of glasses.


De Rose: Some glasses, I'm going to get some glasses, I'm going to buy some glasses, or a pair of glasses. My glasses.


Virginia: It's true, it's true, no one says "my glasses", which is the right way, you're right.


De Rose: Now, and when a person who studied, who went to school, who completed the whole academic path, which today is considered ideal, which is to finish your college and still do some more continuation, a graduate program, perhaps, a doctorate, and that person tells me “Do you want me to do …?”


Virginia: Oh, no!


De Rose: "Do you want me to go with you? I will."


Virginia: Oh, no, this is bad.


De Rose: It’s bad.


Virginia: The subjunctive.


De Rose: It's wrong.


Virginia: So, just to clarify for those who are watching, the correct way is "do you want me to do …?" because it’s the subjunctive, the present subjunctive, whenever we use this structure, “do you want that”, with the word “que”, the conjunction “que”, “do you want me to do?”, “do you want me to go ? ”. The use of subjunctive is mandatory in this case.


De Rose: It's a wonderful language.


Virginia: It is, very much.


De Rose: I love the Portuguese language, and I had this, at the same time, courage and arrogance, perhaps, of writing a small book about our language without being a Portuguese teacher, but because of my passion for the language.


Virginia: Because of your passion, true, true. And you’re a writer, you've written so many books, so you have a knowledge of the language that is indeed really vast.


Virginia: I’d like to play a game with you, I have a list that you wrote in your book of common mistakes in Portuguese, I’d like to say a sentence with a mistake for you to correct, so we can teach everyone at home about these mistakes, for us to help you speak better Portuguese. So, let's go: “What are you called?”


De Rose: Call who? So, this is a ... it's mineirês(Minas Gerais language).


Virginia: Yes, another accent that I love.


De Rose:It's very beautiful. And in mineirês, this has already been adopted in colloquial language, it can no longer be considered an error. But, outside Minas Gerais, it’s interesting to take into account that if you say, “what do you call (yourself)?”, who are you calling?


Virginia: To call something, someone.


De Rose: So, it's "what are you called?"


Virginia: Exactly, it's pronominal. " What are you called?". "Like".


De Rose: “Que nem” is used by almost the entire population of Brazil in the sense of “being equal”.


Virginia: Yeah.


De Rose: But “que nem” doesn't mean “equal”, it means “different”.


Virginia: Yeah, it doesn't make sense.


De Rose: “I am strong like a bull”


Virginia: "Not even a bull is as strong…"


De Rose: "that not even a bull is as strong as me”, so there is a difference, "I am stronger than a bull". If I want to say that it’s the same, I have to say "I’m as strong as a bull".


Virginia: Or "I'm strong ...


De Rose:... like a bull ”.


Virginia: Exactly. Very good, that one. Uh, look at this one: "I will came" or "he will came", ouch.


De Rose: This one hurt, it hurt, and I hear it a lot. I repeat, I already said it, but I want to make it clear that when someone who has not had the opportunity to study says that, it doesn't bother me.


De Rose: But when someone educated says "he will came", ah ... pray that I’m unarmed. "He will came." “He will” my intention is to refer to the future. "I came" is past tense. So, I mixed future tense with the past tense: “will came”. And then it's "he", third person, "I came", first person. So, I mixed everything up, this is an idiomatic hallucination.


Virginia: It's true, because it's “I came”, it’s past tense.


De Rose: "I came", in past tense.


Virginia: “He will”, with the verb "to go" in future tense, the following verb, the main verb is always in the infinitive, "he’s going to come," or "he will come", not "he will came". Uh, "if you see".


De Rose: This one is common. It’s common among educated people. "If you see", "if you compose", "if you suppose", it’s wrong.


Virginia: It’s the future subjunctive. You need to conjugate the verb in future subjunctive tense.


De Rose: So, “if you see”.


De Rose: "If you compose."


De Rose: "If you suppose."


Virginia: It's like the verb “to put”, so all derivatives, the similar verbs have this ending, "puser" at the end. So, this is a very common mistake, if you’re talking about the future and you start with the word "if", it’s probably subjunctive, so pay attention. "Before yesterday".


Virginia: "Two hundred grasses".


De Rose: “Two hundred grasses” are two hundred herbs, that you find in your backyard. But if it's weight, it's masculine. It’s “two hundred grams”. Two hundred grams.


De Rose: Now, in conclusion, it’s interesting that we have, we Brazilians, a little bit of pride when it comes to the variation that is "Brasileirês". “Brasileirês” is now considered the language with the largest phonetic spectrum.


Until the 1960s, two languages were considered, Portuguese and Russian. These two had a greater phonetic spectrum. And “Brasileirês” passed ahead because of immigration. And when I say that in other countries, people say: "it’s nationalism, you're favoringfor your country, your pronunciation". No.


So when I mention this, for example, in Argentina, which is a place that I visit a lot, and where I feel at home, they’ve always welcomed me so well, and where I have good friends. So, I say: “I will prove to you what I said about “Brasileirês” spectrum.


If your name is Juan, and my name is João, I can pronounce your name, “Juan”. Now, pronounce "João". You can pronounce neither the J nor the "ão".


Virginia: It's true.


De Rose: So, all this has given us this broad spectrum of pronunciation. Of course, this being published, a lot of people will disagree: “no, not quite, because academically it’s not proven, or because there is that other language, in Bulgaria, which has a wide spectrum”. It’s all right, this is my opinion at the moment. If I receive more information that contradicts it, I’ll change my mind, I’ll learn.


Virginia: Very good, very good. Thank you very much, De Rose. I loved our chat, I hope this video ... this video will definitely be useful for my students who are learning Portuguese as a second language, and also very useful for my subscribers who are Brazilians. I hope you enjoyed it, guys.


Virginia: I’d love to know your opinion about this video, leave a comment below, and what other common Portuguese mistakes have you heard people saying? Leave a comment below. And if you liked this video, don't forget to give it a thumbs up and subscribe to my channel, every week, I post a new video with tips on grammar, expressions, and pronunciation of Brazilian Portuguese, of our beloved “Brasileirês”.


A kiss and see you next time! Bye-bye.

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